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quinta-feira, 27 de junho de 2013

ENCONTRO CASUAL COM CRISTIAN

Vi este texto do meu amigo Cristian no Facebook, achei muito interessante e pedi autorização dele para publicar. Eis o texto:

Acho que todo mundo já sabe disso, mas sempre é bom reforçar: nem sempre eu sei quem cumprimentei ou conversei. Especialmente quando estou na rua, em meio ao barulho de pessoas e veículos sem fim. Talvez não seja assim com todos que não enxergam, mas comigo acontece toda a hora. É complicado identificar alguém apenas pela voz nessas circunstâncias.
Exemplo disso aconteceu anteontem. Eu ia tranquilamente para o trabalho, a pé. De repente, uma voz feminina:
- Oi!
Ela estava perto, mas outras pessoas caminhavam próximo também. A voz não era estranha, mas apenas num monossílabo é difícil ter certeza. Reduzi o passo levemente, aguardei alguns segundos para ver se alguém respondia, nada. E se a outra pessoa tivesse retribuído o cumprimento apenas com um gesto? Bom, para os meus amigos eu peço que me cumprimentem falando o meu nome, para eu saber que é comigo. E que digam o nome deles também, para facilitar.
- Ô Cristian, tá com pressa?!
- Ah, desculpa, achei que era para outra pessoa. Oi, tudo bem?
Abri um sorriso de quem estava distraído mas eu ainda não sabia quem era ela. Meu processador procurava rapidamente alguma voz que se encaixasse... seria a colega da academia, uma gata aliás? Ou aquela moça que me atendeu na livraria ontem? Ah, pode ser aquela que me ajudou a atravessar a rua dias atrás! Ou seria a guria que faz caminhadas por essas horas e geralmente me cumprimenta?

- Tudo bem comigo. E contigo, também?
Bom, pelo menos eu agora sei que ela está parada na minha frente, que não lançou um oi e continuou caminhando. Mas será que agora ela está estendendo a mão, ou é daquelas que dá abraço, três beijos no rosto, etc e tal? Já perdi a conta das vezes que tentei esconder a mão discretamente depois de estendê-la para o nada. Ou de ficar com a cara de idiota esperando o terceiro beijo que não veio. Fiquei na minha, ela acho que também. 
- Também, tudo bem. Só eu ainda não te... 
- Tá indo para o trabalho?
Sorrio. Ela já está querendo engatar uma 3ª na conversa e eu ainda nem sei com quem estou falando. Quem enxerga estaria há horas pensando cantadas e assuntos bacanas para impressioná-la e eu tenho que ocupar esse tempo com o básico: descobrir quem é a criatura. E ela até sabe que eu trabalho e, provavelmente, onde!
- É, to indo para o trabalho. E você, TAM...
- E a tua irmã, tá quase ganhando o nenê? 
Ah não, calma aí minha gente. Ela sabe o meu nome, que estou indo trabalhar, quem é a minha irmã e que ela está grávida. E eu nem faço ideia de quem seja essa guria. Deixo de sorrir pra ver se ela se manca mas respondo pra não ser mal educado:
- É, tá quase. Em setembro chega aí o Teodoro. Mas, desculpe, quem... 
- Então tá, manda um beijo pra ela. Tenho que ir agora, já estou super atrasada. Foi bom te ver, tchau!

Os passos dela já vão lá adiante. Nem retribuo o tchau pra ver se ela se toca. E sigo o caminho do trabalho, pensando naquele minuto que se multiplica na memória. Será que ela agora entendeu que eu não sei quem é?
No final de semana, quando eu estiver com a minha irmã, vou repassar o beijo. De quem? Bom, de alguém que sabia o meu nome, que eu estava indo trabalhar naquela hora, sabia o teu nome e que você está grávida! Você faz ideia de quem seja?

 






Cristian Sehnem – Pedagogo com deficiência visual
















EU, GUIANDO O CRISTIAN, NO CURSO DE QUALIFICAÇÃO DE PROFESSORES NA ÁREA DE DEFICIÊNCIA VISUAL, QUE FIZEMOS JUNTOS NO INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT.

quinta-feira, 14 de março de 2013

TERMINOLOGIA CORRETA PARA SE REFERIR À DEFICIÊNCIAS


A construção de uma verdadeira sociedade inclusiva passa também pelo cuidado com a linguagem. Na linguagem se expressa, voluntariamente ou involuntariamente, o respeito ou a discriminação em relação às pessoas com deficiências. Com o objetivo de subsidiar o trabalho de jornalistas e profissionais de educação que necessitam falar ou escrever sobre assuntos de pessoas com deficiência no seu dia-a-dia, a seguir são apresentadas 59 palavras ou expressões incorretas acompanhadas de comentários e dos equivalentes termos corretos. Ouvimos e/ou lemos frequentemente esses termos incorretos em livros, revistas, jornais, programas de televisão e de rádio, apostilas, reuniões, palestras e aulas.
A numeração aplicada a cada expressão incorreta serve para direcionar o leitor de um termo para outro quando um mesmo comentário se aplicar a diferentes expressões (ou pertinentes entre si), evitando-se desta forma a repetição da informação.
1.Adolescente normal
Desejando referir-se a um adolescente (uma criança ou um adulto) que não possua uma deficiência, muitas pessoas usam as expressões adolescente normal, criança normal e adulto normal. Isto acontecia muito no passado, quando a desinformação e o preconceito a respeito de pessoas com deficiência eram de tamanha magnitude que a sociedade acreditava na normalidade das pessoas sem deficiência. Esta crença fundamentava-se na ideia de que era anormal a pessoa que tivesse uma deficiência. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. TERMO CORRETO: adolescente (criança, adulto) sem deficiência ou, ainda, adolescente (criança, adulto) não-deficiente.
2. Aleijado; defeituoso; incapacitado; inválido
Estes termos eram utilizados com frequência até a década de 80. A partir de 1981, por influência do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, começa-se a escrever e falar pela primeira vez a expressão pessoa deficiente. O acréscimo da palavra pessoa, passando o vocábulo deficiente para a função de adjetivo, foi uma grande novidade na época. No início, houve reações de surpresa e espanto diante da palavra pessoa: “Puxa, os deficientes são pessoas!?” Aos poucos, entrou em uso a expressão pessoa portadora de deficiência, frequentemente reduzida para portadores de deficiência. Por volta da metade da década de 90, entrou em uso a expressão pessoas com deficiência, que permanece até os dias de hoje. Ver comentários ao item 47.
3. “Apesar de deficiente, ele é um ótimo aluno”
Na frase acima há um preconceito embutido: ‘A pessoa com deficiência não pode ser um ótimo aluno’. FRASE CORRETA: “ele tem deficiência e é um ótimo aluno”
4. “Aquela criança não é inteligente”
Todas as pessoas são inteligentes, segundo a Teoria das Inteligências Múltiplas. Até o presente, foi comprovada a existência de oito tipos de inteligência (lógico-matemática, verbal-linguística, interpessoal, intrapessoal, musical, naturalista, corporal-cinestésica e visual-espacial). FRASE CORRETA: “aquela criança é menos desenvolvida na inteligência [por ex.] lógico-matemática”
5. Cadeira de rodas elétrica
Trata-se de uma cadeira de rodas equipada com um motor. TERMO CORRETO: cadeira de rodas motorizada
6. Ceguinho
O diminutivo ceguinho denota que o cego não é tido como uma pessoa completa. A rigor, diferencia-se entre deficiência visual parcial (baixa visão ou visão subnormal) e cegueira (quando a deficiência visual é total). TERMOS CORRETOS: cego; pessoa cega; pessoa com deficiência visual; deficiente visual
7. Classe normal
TERMOS CORRETOS: classe comum; classe regular. No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra classe sem adjetivá-la.
8. Criança excepcional
TERMO CORRETO: criança com deficiência mental. Excepcionais foi o termo utilizado nas décadas de 50, 60 e 70 para designar pessoas deficientes mentais. Com o surgimento de estudos e práticas educacionais na área de altas habilidades ou talentos extraordinários nas décadas de 80 e 90, o termo excepcionais passou a referir-se a pessoas com inteligência lógico-matemática abaixo da média (pessoas com deficiência mental) e a pessoas com inteligências múltiplas acima da média (pessoas superdotadas ou com altas habilidades e gênios).
9. Defeituoso físico
Defeituoso, aleijado e inválido são palavras muito antigas e eram utilizadas com frequência até o final da década de 70. O termo deficiente, quando usado como substantivo (por ex., o deficiente físico), está caindo em desuso. TERMO CORRETO: pessoa com deficiência física
10. Deficiências físicas (como nome genérico englobando todos os tipos de deficiência)
TERMO CORRETO: deficiências (como nome genérico, sem especificar o tipo, mas referindo-se a todos os tipos). Alguns profissionais não-pertencentes ao campo da reabilitação acreditam que as deficiências físicas são divididas em motoras, visuais, auditivas e mentais. Para eles, deficientes físicos são todas as pessoas que têm deficiência de qualquer tipo.
11. Deficientes físicos (referindo-se a pessoas com qualquer tipo de deficiência)
TERMO CORRETO: pessoas com deficiência (sem especificar o tipo de deficiência). Ver comentário do item 10.
12. Deficiência mental leve, moderada, severa, profunda
TERMO CORRETO: deficiência mental (sem especificar nível de comprometimento). A nova classificação da deficiência mental, baseada no conceito publicado em 1992 pela Associação Americana de Deficiência Mental, considera a deficiência mental não mais como um traço absoluto da pessoa que a tem e sim como um atributo que interage com o seu meio ambiente físico e humano, que por sua vez deve adaptar-se às necessidades especiais dessa pessoa, provendo-lhe o apoio intermitente, limitado, extensivo ou permanente de que ela necessita para funcionar em 10 áreas de habilidades adaptativas: comunicação, autocuidado, habilidades sociais, vida familiar, uso comunitário, autonomia, saúde e segurança, funcionalidade acadêmica, lazer e trabalho.
13. Deficiente mental (referindo-se à pessoa com transtorno mental)
TERMOS CORRETOS: pessoa com doença mental, pessoa com transtorno mental, paciente psiquiátrico
14. Doente mental (referindo-se à pessoa com déficit intelectual)
TERMOS CORRETOS: pessoa com deficiência mental, pessoa deficiente mental. O termo deficiente, quando usado como substantivo (por ex.: o deficiente físico, o deficiente mental), tende a desaparecer, exceto em títulos de matérias jornalísticas.
15. “Ela é cega, mas mora sozinha”
Na frase acima há um preconceito embutido: ‘Todo cego não é capaz de morar sozinho’. FRASE CORRETA: “ela é cega e mora sozinha”
16. “Ela é retardada mental, mas é uma atleta excepcional”
Na frase acima há um preconceito embutido: ‘Toda pessoa com deficiência mental não tem capacidade para ser atleta’. FRASE CORRETA: “ela tem deficiência mental e se destaca como atleta”
17. “ela é surda [ou cega], mas não é retardada mental”
A frase acima contém um preconceito: ‘Todo surdo ou cego tem retardo mental’. Retardada mental, retardamento mental e retardo mental são termos do passado. FRASE CORRETA: “ela é surda [ou cega] e não tem deficiência mental”
18. “ela foi vítima de paralisia infantil”
A poliomielite já ocorreu nesta pessoa (por ex., ‘ela teve pólio’). Enquanto a pessoa estiver viva, ela tem sequela de poliomielite. A palavra vítima provoca sentimento de piedade. FRASE CORRETA: “ela teve [flexão no passado] paralisia infantil” e/ou “ela tem [flexão no presente] sequela de paralisia infantil”
19. “ela teve paralisia cerebral” (referindo-se a uma pessoa no presente)
A paralisia cerebral permanece com a pessoa por toda a vida. FRASE CORRETA: ela tem paralisia cerebral
20. “ele atravessou a fronteira da normalidade quando sofreu um acidente de carro e ficou deficiente”
A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável. A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. FRASE CORRETA: “ele teve um acidente de carro que o deixou com uma deficiência”
21. Ela foi vítima da pólio
A palavra vítima provoca sentimento de piedade. TERMOS CORRETOS: poliomielite; paralisia infantil e pólio. FC: ela teve pólio
22. Ele é surdo-cego
GRAFIA CORRETA: “ele é surdocego”. Também podemos dizer ou escrever: “ele tem surdocegueira”
23. “Ele manca com bengala nas axilas”
FRASE CORRETA: “ele anda com muletas axilares”. No contexto coloquial, é correto o uso do termo muletante para se referir a uma pessoa que anda apoiada em muletas.
24. “Ela sofre de paraplegia” [ou de paralisia cerebral ou de sequela de poliomielite]
A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. FRASE CORRETA: “ela tem paraplegia” [ou paralisia cerebral ou sequela de poliomielite]
25. Escola normal
No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra escola sem adjetivá-la. TERMOS CORRETOS: escola comum; escola regular (é preciso cuidado com o termo “regular” se referindo à escola, pois pode sugerir que ela está regularizada para funcionamento)
26. “Esta família carrega a cruz de ter um filho deficiente”
Nesta frase há um estigma embutido: ‘Filho deficiente é um peso morto para a família’. FRASE CORRETA: “esta família tem um filho com deficiência”
27. “Infelizmente, meu primeiro filho é deficiente; mas o segundo é normal”
A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável, ultrapassado. E a palavra infelizmente reflete o que a mãe pensa da deficiência do primeiro filho: ‘uma coisa ruim’. FRASE CORRETA: “tenho dois filhos: o primeiro tem deficiência e o segundo não tem”
28. Intérprete do Libras
TERMO CORRETO: intérprete da Libras (ou de Libras). Libras é sigla de Língua Brasileira de Sinais. “Libras é um termo consagrado pela comunidade surda brasileira, e com o qual ela se identifica. Ele é consagrado pela tradição e é extremamente querido por ela. A manutenção deste termo indica nosso profundo respeito para com as tradições deste povo a quem desejamos ajudar e promover, tanto por razões humanitárias quanto de consciência social e cidadania. Entretanto, no índice linguístico internacional os idiomas naturais de todos os povos do planeta recebem uma sigla de três letras como, por exemplo, ASL (American Sign Language). Então será necessário chegar a uma outra sigla. Tal preocupação ainda não parece ter chegado na esfera do Brasil”, segundo CAPOVILLA (comunicação pessoal).
29. Inválido (referindo-se a uma pessoa)
A palavra inválido significa sem valor. Assim eram consideradas as pessoas com deficiência desde a Antiguidade até o final da Segunda Guerra Mundial. TERMO CORRETO: pessoa com deficiência
30. Lepra; leproso; doente de lepra
TERMOS CORRETOS: hanseníase; pessoa com hanseníase; doente de hanseníase. Prefira o termo a pessoa com hanseníase ao o hanseniano. A lei federal nº 9.010, de 29-3-95, proíbe a utilização do termo lepra e seus derivados, na linguagem empregada nos documentos oficiais. Alguns dos termos derivados e suas respectivas versões oficiais são: leprologia (hansenologia), leprologista (hansenologista), leprosário ou leprocômio (hospital de dermatologia), lepra lepromatosa (hanseníase wirchowiana), lepra tuberculóide (hanseníase tuberculóide), lepra dimorfa (hanseníase dimorfa), lepromina (antígeno de Mitsuda), lepra indeterminada (hanseníase indeterminada). A palavra hanseníase deve ser pronunciada com o h mudo [como em haras, haste, harpa]. Mas, pronuncia-se o nome Hansen (do médico e botânico norueguês Armauer Gerhard Hansen) com o h aspirado.
31. LIBRAS – Linguagem Brasileira de Sinais
GRAFIA CORRETA: Libras. TERMO CORRETO: Língua Brasileira de Sinais. Trata-se de uma língua e não de uma linguagem. Segundo CAPOVILLA [comunicação pessoal], “Língua de Sinais Brasileira é preferível a Língua Brasileira de Sinais por uma série imensa de razões. Uma das mais importantes é que Língua de Sinais é uma unidade, que se refere a uma modalidade linguística quiroarticulatória-visual e não oroarticulatória-auditiva. Assim, há Língua de Sinais Brasileira. porque é a língua de sinais desenvolvida e empregada pela comunidade surda brasileira. Não existe uma Língua Brasileira, de sinais ou falada”.
32. Língua dos sinais
TERMO CORRETO: língua de sinais. Trata-se de uma língua viva e, por isso, novos sinais sempre surgirão. A quantidade total de sinais não pode ser definitiva.
33. Linguagem de sinais
TERMO CORRETO: língua de sinais. A comunicação sinalizada dos e com os surdos constitui um língua e não uma linguagem. Já a comunicação por gestos, envolvendo ou não pessoas surdas, constitui uma linguagem gestual. Uma outra aplicação do conceito de linguagem se refere ao que as posturas e atitudes humanas comunicam não-verbalmente, conhecido como a linguagem corporal.
34. Louis Braile
GRAFIA CORRETA: Louis Braille. O criador do sistema de escrita e impressão para cegos foi o educador francês Louis Braille (1809-1852), que era cego.
35. Mongoloide; mongol
TERMOS CORRETOS: pessoa com síndrome de Down, criança com Down, uma criança Down. As palavras mongol e mongoloide refletem o preconceito racial da comunidade científica do século 19. Em 1959, os franceses descobriram que a síndrome de Down era um acidente genético. O termo Down vem de John Langdon Down, nome do médico inglês que identificou a síndrome em 1866. “A síndrome de Down é uma das anomalias cromossômicas mais frequentes encontradas e, apesar disso, continua envolvida em ideias errôneas… Um dos momentos mais importantes no processo de adaptação da família que tem uma criança com síndrome de Down é aquele em que o diagnóstico é comunicado aos pais, pois esse momento pode ter grande influência em sua reação posterior.” (MUSTACCHI, 2000, p. 880)
36. Mudinho
Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. O diminutivo mudinho denota que o surdo não é tido como uma pessoa completa. TERMOS CORRETOS: surdo; pessoa surda; deficiente auditivo; pessoa com deficiência auditiva
37. Necessidades educativas especiais
TERMO CORRETO: necessidades educacionais especiais. A palavra educativo significa algo que educa. Ora, necessidades não educam; elas são educacionais, ou seja, concernentes à educação (SASSAKI, 1999). O termo necessidades educacionais especiais foi adotado pelo Conselho Nacional de Educação (Resolução nº 2, de 11-9-01, com base no Parecer nº 17/2001, homologado em 15-8-01).
38. O epilético
TERMOS CORRETOS: a pessoa com epilepsia, a pessoa que tem epilepsia. Evite fazer a pessoa inteira parecer deficiente.
39. O incapacitado
TERMO CORRETO: a pessoa com deficiência. A palavra incapacitado é muito antiga e era utilizada com frequência até a década de 80.
40. O paralisado cerebral
TERMO CORRETO: a pessoa com paralisia cerebral. Prefira sempre destacar a pessoa em vez de fazer a pessoa inteira parecer deficiente.
41. “Paralisia cerebral é uma doença”
FRASE CORRETA: “Paralisia cerebral é uma condição”. Muitas pessoas confundem doença com deficiência.
42. Pessoa normal
TERMOS CORRETOS: pessoa sem deficiência; pessoa não-deficiente. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado.
43. Pessoa presa (confinada, condenada) a uma cadeira de rodas
TERMOS CORRETOS: pessoa em cadeira de rodas; pessoa que anda em cadeira de rodas; pessoa que usa uma cadeira de rodas. Os termos presa, confinada e condenada provocam sentimentos de piedade. No contexto coloquial, é correto o uso dos termos cadeirante e chumbado.
44. Pessoas ditas deficientes
TERMO CORRETO: pessoas com deficiência. A palavra ditas, neste caso, funciona como eufemismo para negar ou suavizar a deficiência, o que é preconceituoso.
45. Pessoas ditas normais
TERMOS CORRETOS: pessoas sem deficiência; pessoas não-deficientes. Neste caso, o termo ditas é utilizado para contestar a normalidade das pessoas, o que se torna redundante nos dias de hoje.
46. Pessoa surda-muda
GRAFIA CORRETA: pessoa surda ou, dependendo do caso, pessoa com deficiência auditiva. Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. A rigor, diferencia-se entre deficiência auditiva parcial (quando há resíduo auditivo) e surdez (quando a deficiência auditiva é total).
47. Portador de deficiência
TERMO CORRETO: pessoa com deficiência. No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo portador de deficiência (e suas flexões no feminino e no plural). Pessoas com deficiência vêm ponderando que elas não portam deficiência; que a deficiência que elas têm não é como coisas que às vezes portamos e às vezes não portamos (por exemplo, um documento de identidade, um guarda-chuva). O termo preferido passou a ser pessoa com deficiência. Ver comentários ao item 2.
48. PPD’s
GRAFIA CORRETA: PPDs. Não se usa apóstrofo para designar o plural de siglas. A mesma regra vale para siglas como ONGs (e não ONG’s). No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo pessoas portadoras de deficiência. Hoje, o termo preferido passou a ser pessoas com deficiência, motivando o desuso da sigla PPDs.
49. Quadriplegia; quadriparesia
TERMOS CORRETOS: tetraplegia; tetraparesia. No Brasil, o elemento morfológico tetra tornou-se mais utilizado que o quadri. Ao se referir à pessoa, prefira o termo pessoa com tetraplegia (ou tetraparesia) no lugar de o tetraplégico ou o tetraparético.
50. Retardo mental, retardamento mental
TERMO CORRETO: deficiência mental. São pejorativos os termos retardado mental, pessoa com retardo mental, portador de retardamento mental etc. Ver comentários ao item 12.
51. Sala de aula normal
TERMO CORRETO: sala de aula comum. Quando todas as escolas forem inclusivas, bastará o termo sala de aula sem adjetivá-lo.
52. Sistema inventado por Braile
GRAFIA CORRETA: sistema inventado por Braille. O nome Braille (de Louis Braille, inventor do sistema de escrita e impressão para cegos) se escreve com dois l (éles). Braille nasceu em 1809 e morreu aos 43 anos de idade.
53. Sistema Braille
GRAFIA CORRRETA: sistema braile. Conforme MARTINS (1990), grafa-se Braille somente quando se referir ao educador Louis Braille. Por ex.: ‘A casa onde Braille passou a infância (…)’. Nos demais casos, devemos grafar: [a] braile (máquina braile, relógio braile, dispositivo eletrônico braile, sistema braile, biblioteca braile etc.) ou [b] em braile (escrita em braile, cardápio em braile, placa metálica em braile, livro em braile, jornal em braile, texto em braile etc.).
54. “Sofreu um acidente e ficou incapacitado”
FRASE CORRETA: “Teve um acidente e ficou deficiente”. A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade.
55. Surdez-cegueira
GRAFIA CORRETA: surdocegueira. É um dos tipos de deficiência múltipla.
56. Surdinho
TERMOS CORRETOS: surdo; pessoa surda; pessoa com deficiência auditiva. O diminutivo surdinho denota que o surdo não é tido como uma pessoa completa. Os próprios cegos gostam de ser chamados cegos e os surdos de surdos, embora eles não descartem os termos pessoas cegas e pessoas surdas.
57. Surdo-mudo
GRAFIAS CORRETAS: surdo; pessoa surda; pessoa com deficiência auditiva. Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. A rigor, diferencia-se entre deficiência auditiva parcial (quando há resíduo auditivo) e surdez (quando a deficiência auditiva é total). Evite usar a expressão o deficiente auditivo.
58. Texto (ou escrita, livro, jornal, cardápio, placa metálica) em Braille
TERMOS CORRETOS: texto em braile; escrita em braile; livro em braile; jornal em braile; cardápio em braile; placa metálica em braile. Ver comentários ao item 53.
59. Visão sub-normal
GRAFIA CORRETA: visão subnormal. TERMO CORRETO: baixa visão. É preferível baixa visão a visão subnormal. A rigor, diferencia-se entre deficiência visual parcial (baixa visão) e cegueira (quando a deficiência visual é total).

* Trabalho publicado no livro Mídia e Deficiência, de Veet Vivarta, coord. (Brasília: Andi/Fundação Banco do Brasil, 2003, p. 160-165).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Prova de Química


Não se assuste, embora seja de química tem uma lógica que acredito pode ser
analisada pela Língua Portuguesa.
Engenharia Química da UFBA

Pergunta feita por Professor(a) da matéria Termodinâmica, no curso de engenharia química da UFBA em sua prova final.
Este(a) Professor(a) é conhecido(a) por fazer perguntas do tipo:'Por que os aviões voam?' em suas provas finais. Sua única questão nesta prova para sua turma foi:
'O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta.'
Vários alunos justificaram suas opiniões baseadas na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma. Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:
'Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar
Para onde vão algumas almas. Agora postulamos que as almas existem, assim elas devem ter alguma massa e ocupam algum volume. Então um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume. Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno? Podemos assumir seguramente que, uma vez que uma alma entra no inferno, ela nunca mais sai de lá. Por isso não há almas saindo.
Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo e no que pregam algumas delas hoje em dia.
Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno ... se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus você vai para o inferno.
Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno.
A experiência mostra que pouca gente respeita os 10 mandamentos.
Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno.
Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno.
A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante.
Existem, então, duas opções:
1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto EXOTÉRMICO.
2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto ENDOTÉRMICO.
Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da UFBA me disse, no primeiro ano: 'Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar', e levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico.'
O aluno tirou 10 na prova.

CONCLUSÕES:
'A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original.' (Albert Einstein)

'A imaginação é muito mais importante que o conhecimento' (Albert Einstein)

'Um raciocínio lógico leva você de A a B. A imaginação leva você a qualquer lugar que você quiser' (Albert Einstein)

UMA HISTÓRIA PUXA OUTRA

Eis o meu livro UMA HISTÓRIA PUXA OUTRA

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DEIXE O SEU COMENTÁRIO.

COMENTÁRIOS DE QUEM LEU:
Caríssima Selma Inês, li o livro e gostei muito da forma como construiu e escreveu os contos. O seu jeito de narrar é muito bom porque ele fisga a atenção do leitor. Isso é o que há de melhor para o público ao qual se destina esse livro. Pois, eles querem emoção e suspense. E com esse gênero você oferece o "plus" do sobrenatural e do realismo fantástico, que mexe com a imaginação deles.
Enfim, tendo alguma experiência com outras obras de literatura infanto-juvenil, creio que seu livro poderá conquistar o interesse dos profissionais da área da educação. Ele tem chance de vir a ser adotado na rede escolar.



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIAS VISUAIS NAS ESCOLAS DE ENSINO REGULAR


Inclusão de alunos com deficiências visuais nas escolas de ensino regular

(o termo regular pode levar a pensar que se uma escola é regularizada, então o ensino que ela oferece é também regular)
Deficiencia visualA exclusão escolar remete a toda uma série de problemas que importa discutir, e é preciso resistir para não ceder à moda que busca explicar a exclusão do aluno por meio das ideias consolidadas sobre a desigualdade das oportunidades escolares.
Além de reproduzir as desigualdades sociais a escola acrescenta e alia fatores de desigualdade e de exclusão que ultrapassam a simples reprodução das desigualdades encontradas na sociedade.
A exclusão é efetivamente uma das dimensões da experiência escolar dos alunos que provoca realmente uma relativa exclusão social e numa sociedade em que uma parcela significativa da população economicamente ativa constitui-se de desempregados, os mais desqualificados do ponto de vista da escolarização têm todas as chances de conhecer a exclusão social.
A seletividade escolar encaminha os alunos mais fracos para as trajetórias de trabalho menos qualificadas, o que, por sua vez, aumenta suas “chances” de desemprego e de precariedade de vida enquanto, no outro extremo, os diplomas nos níveis mais elevados oferecem uma proteção relativa diante do desemprego.
Observa-se que os alunos com dificuldades são orientados para trajetórias escolares mais ou menos desvalorizadas no interior de uma hierarquia extremamente rígida, que impede, quase por completo, o retorno para as carreiras prestigiadas.
No que concerne aos mecanismos propriamente escolares que engendram percursos de exclusão a escola deve se interrogar sobre as finalidades da educação e sobre como os currículos e os métodos pedagógicos devem transformar-se a fim de atenuar a exclusão escolar.
Não é possível resolver os problemas que a educação brasileira vem acumulando há décadas sem que se ouça o docente, que é o responsável por executar na prática as decisões dos políticos.
Algumas ideias, propostas como soluções, se colocadas em prática, podem representar um enorme salto de qualidade da educação no país, porém outras resultariam num retrocesso descabido.
Precisamos de grau maior de realismo e objetividade no diagnóstico de nossos problemas educacionais, assim como de soluções concretas, corretas, responsáveis e viáveis.
Uma ação educativa, comprometida com a cidadania e com a formação de uma sociedade democrática e não excludente, deve, necessariamente, promover o convívio com a diversidade, que é marca da vida social brasileira. Aprender a conviver e a relacionar-se com pessoas que possuem habilidades e competências diferentes é condição necessária para o desenvolvimento de valores éticos como a dignidade do ser humano, o respeito ao outro, a igualdade e a solidariedade.
Na perspectiva da educação inclusiva, não se espera mais que a pessoa com deficiência se integre por si mesma, mas que a escola se transforme para possibilitar essa inserção. Por isso a inclusão defende que a aprendizagem em grupo é a melhor forma de beneficiar a todos, não somente às crianças rotuladas como diferentes, posto que incluir significa ser parte de algo, formar parte do todo, enquanto que excluir significa manter fora, apartar, expulsar.
Maria da Glória de Souza Almeida afirma que “A pessoa com deficiência, tanto quanto outros indivíduos, que integram grupos, vítimas da exclusão em vários níveis, não se pode deixar amesquinhar pela deficiência que o afeta, antes, precisa estar cônscio das suas possibilidades, precisa aprender a enfrentar obstáculos, precisa aceitar desafios, precisa entender e conviver com limites e impedimentos”. Espera-se que a Escola seja o lugar que propicie tudo isto. No entanto, o que se constata é que ela não tem sido capaz de desempenhar a contento suas funções, nem mesmo com os alunos ditos “normais”, quanto mais com aqueles com deficiência, e mais acentuadamente com o deficiente visual, posto que estes possuem necessidades educacionais especiais que a Escola Regular não está pronta para oferecer.
O tema inclusão de crianças deficientes está cada vez mais presente no cotidiano da educação e os professores estão percebendo que as diferenças devem ser aceitas e acolhidas como subsidio para montar ou completar o cenário escolar, mas ainda é difícil encontrar professores que afirmem estar preparados para receber em classe um estudante deficiente e a inclusão exige aperfeiçoamento constante.
A inclusão de alunos que apresentam necessidades educacionais especiais na rede regular representa a possibilidade de revermos concepções e paradigmas, num profundo respeito pelas diferenças.
A verdadeira inclusão é uma tarefa possível de ser realizada, mas não por meio dos modelos tradicionais de organização do sistema escolar e sim pela transformação geral das escolas, visando a atender aos princípios deste novo paradigma educacional.
Em relação à educação dos alunos com necessidades especiais, observa-se a emergência de uma educação inclusiva que deve ser entendida como uma tentativa de atender as dificuldades de aprendizagem de qualquer aluno no sistema educacional e como um meio de assegurar que os alunos que apresentem alguma deficiência tenham os mesmos direitos que os outros e que todos sejam cidadãos de direito nas escolas regulares, bem-vindos e aceitos, formando parte da vida daquela comunidade.
Da Declaração de Salamanca, cujo princípio fundamental “(...) é de que as escolas devem acolher todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras” (p.17), ressaltamos o seguinte trecho: “As escolas que se centralizam na criança representam a base para a construção de uma sociedade centrada nas pessoas, que respeite tanto a dignidade como as diferenças de todos os seres humanos;” (p. 18)
Para Adorno, uma democracia efetiva só pode ser imaginada como uma sociedade de pessoas emancipadas.
O processo de inclusão na Escola Brasileira ainda é insipiente e se limita a cumprir o que determina a legislação no que concerne a matrícula de alunos com necessidades especiais na escola de ensino regular.
Para a educação ser inclusiva de fato não basta matricular os alunos. A escola precisa estar organizada com os recursos didático-pedagógicos específicos e profissionais da educação qualificados para lidar com a diversidade dos alunos. Precisamos ter como objetivo reestruturar as escolas, de modo a que respondam às necessidades de todas as crianças. Para tanto, a figura do professor ganha destaque, pois a educação inclusiva supõe, sobretudo, uma mudança em nós, em nosso trabalho, das estratégias que utilizamos, dos objetivos e do modo como organizamos o espaço e o tempo na sala de aula. Temos que rever as estratégias para ensinar, a grade curricular, os critérios de promoção ou de avaliação, nossa posição ou lugar frente a esses “outros”, outrora excluídos, que agora fazem parte do todo ao qual pertencemos. A educação inclusiva possibilita-nos trabalhar com diferenças, com insuficiências, com o aperfeiçoamento, não só em nossos alunos, mas especialmente em nós mesmos, como profissionais e como seres humanos.
É preciso prover todos os meios (inclusive formação de professores) necessários para que todos os alunos possam desenvolver seu máximo potencial de aprendizagem, tenham ou não necessidades especiais. Cada aluno deve ser incentivado a aprender tudo que lhe for possível, e para tanto, existem inúmeros recursos nem sempre materiais (como equipamentos caros). Muitas vezes basta criatividade por parte do professor e neste caso, os recursos a que me refiro são os pedagógicos.
O contraturno deveria funcionar como reforço ou complemento proporcionando o aprendizado das disciplinas necessárias ao aluno com deficiência, mas não é o que acontece. Geralmente o aluno que deveria ser incluído fica à parte do aprendizado.
As maiores dificuldades enfrentadas pelo professor frente ao processo de inclusão das crianças com deficiência na Rede Regular de Ensino são principalmente devidas ao excessivo número de alunos em sala de aula, além da falta de capacitação para lidar com o aluno com deficiência.
A Declaração de Salamanca destaca: “O princípio fundamental que rege as escolas integradoras é de que todas as crianças, (...) devem aprender juntas, independentemente de suas dificuldades e diferenças. Nas escolas integradoras, as crianças com necessidades educativas especiais devem receber todo apoio adicional necessário para garantir uma educação eficaz”; (p. 23)
A alfabetização de uma criança cega nas escolas regulares, especialmente as da Rede Pública poderá vir a ser realidade se o professor regente usar em sala de aula, com todos os alunos, o recurso de materiais concretos, aguçando a curiosidade do aluno, ao mesmo tempo em que o capacita a ser alfabetizado em Braille.
O incentivo ao aprendizado de Braille é fundamental para a continuidade do ensino nas séries subsequentes, preparando este aluno para a futura inserção no mercado de trabalho e ao efetivo exercício da cidadania, meta maior da educação inclusiva.
O aprendizado do código Braille deveria ser feito no contraturno. O professor de recurso é muito importante, pois ele traz o conhecimento sobre a deficiência e orienta o professor regular, atuando como facilitador da inclusão, ajudando o aluno a interagir com o meio e com o professor, e vice-versa.
No caso da criança cega, o profissional especialista da sala de recursos pode, por exemplo, ajudar o professor regente de sala de aula a elaborar materiais concretos para ensinar os conteúdos (figuras geométricas feitas em relevo com tinta plástica ou sementes coladas no papel, por exemplo, material em braile ou com textos ampliados).
Na sala de apoio a professora recebe os alunos cegos e com baixa visão para aulas de reforço, prepara textos em braile ou com caracteres ampliados, desenhos e mapas em alto relevo, usados nas aulas regulares.
De acordo com especialistas, o conhecimento de recursos específicos para o aluno com deficiência visual, como o braile e o soroban (ábaco utilizado para a realização de operações matemáticas) é função do professor da sala de recursos e não do professor da classe regular.
Com relação à educação de alunos com deficiência visual, a Portaria n.º 3.284 de 07/11/2003, MEC, nos requisitos de acessibilidade, dispõe: “Compromisso formal da instituição de proporcionar, caso seja solicitada, desde o acesso até a conclusão do curso, sala de apoio contendo: máquina de datilografia Braille, impressora Braille acoplada a computador, sistema de síntese de voz; gravador e fotocopiadora que amplie textos; plano de aquisição gradual de acervo bibliográfico em fitas de áudio; software de ampliação de tela; equipamento para ampliação de textos para atendimento a alunos com visão subnormal; lupas, régua de leitura; scanner acoplado a computador; plano de aquisição gradual de acervo bibliográfico dos conteúdos básicos do Braille”.
O que se observa é que, embora muitos dos recursos estejam presentes nas escolas eles estão fechados em salas, encaixotados e sem uso, num flagrante descaso com o patrimônio público.
  • CAMPBELL, Selma Inês. MÚLTIPLAS FACES DA INCLUSÃO. Rio de Janeiro. RJ. WAK Editora, 2009.
Selma
 Selma Inês Campbell - Graduada em Economia pela UFRJ
Especialista em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes
Habilitada ao Magistério Séries Iniciais do Ensino Fundamental
Tutora Online - Curso de Redação de Textos Acadêmicos pela CECIERJ Curso de Qualificação de Professores na Área de Deficiência Visual pelo Instituto Benjamin Constant
Licenciada em Letras Português/Literaturas pela UFF
Escritora
PALESTRANTE

“Os segredos da Língua” – a letra R em posições e sons diferentes


Minha colaboração a Projetos Pedagógicos Dinâmicos

“Os segredos da Língua” – a letra R em posições e sons diferentes


Selma Inês Campbell

Letra RCONTEÚDO: A letra R, em nomes de animais, no início da palavra, antes e depois de vogal.
OBJETIVO GERAL: Apresentar algumas das possibilidades de produção de sons diferentes da letra R de acordo com a posição que ela esteja ocupando na palavra.
OBJETIVO ESPECÍFICO: Através do lúdico (gravuras) conduzir o aluno ao conhecimento da letra R.
ESTRATÉGIA: Apresentar gravuras de animais (desenhos), com o nome escrito, que contenham a letra R:
  • No início da palavra.
  • Depois de vogal
  • Antes de vogal

DESENVOLVIMENTO: depois de apresentar cada gravura e mostrar a posição e o som da letra R, perguntar às crianças se “conhecem” outros animais que tenham a letra R no nome.
OBSERVAÇÃO: reservar algumas figuras (aquelas que provavelmente as crianças dirão o nome) para exibir quando elas disserem.
A LETRA R E OS ANIMAIS: ETAPA AVANÇADA
Numa outra etapa pode-se apresentar animais, desta vez com a letra R após consoante
Também pode-se apresentar o duplo R como em BURRO, por exemplo.
MOTIVAÇÃO PARA ESCOLHA DE ANIMAIS PARA EXPLORAR O TEMA
Com animais pode-se explorar vários conteúdos de diversas disciplinas como português, biologia, artes, etc.:
  • Animais terrestres, marinhos e que voam
  • Selvagens, domésticos, insetos, etc.
  • Masculino e feminino
  • Coletivos
  • E muitos outros, até inglês.Basta que a professora use sua criatividade.
APELO DO LÚDICO
  • Animais possuem um forte apelo lúdico:
  • Através de desenhos animados e filmes
  • Através das fábulas
  • Visitas a zoológico
AULAS DE ARTES
Animais em figuras também podem ser usados em aulas de artes para colorir, recortar, usar como molde, etc.
SUGESTÃO ADICIONAL
Pode-se usar as figuras em duplicidade e montar um jogo da memória.

ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Contornar as figuras com barbante colado e/ou usar texturas diferentes como areia colada, papéis de diferentes texturas (seda, cartolina, papelão, etc.). Basta que a professora use sua criatividade.
OBSERVAÇÃO:
O projeto usando animais pode ser utilizado com todas as letras do alfabeto. Optei por apresentar a letra R pelas dificuldades que ela apresenta: antes ou depois de vogal muda o som, depois de consoante, no início ou fim da palavra, simples ou dobrado (RR).
Pode-se colecionar trabalhos individuais com as crianças e ao final do ano transformar em um livro no qual pode-se colocar uma capa em papel camurça, perfurar as folhas e colocar dois ou três grampos “bailarinas”. Colar uma etiqueta com o nome de cada um e fazer uma exposição para os pais, tornando os alunos “autores”. É um estímulo e tanto à leitura e produção de textos.

Selma
 Selma Inês Campbell - Graduada em Economia pela UFRJ, Especialista em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes, Habilitada ao Magistério Séries Iniciais do Ensino Fundamental, Tutora Online - Curso de Redação de Textos Acadêmicos pela CECIERJ ,Curso de Qualificação de Professores na Área de Deficiência Visual pelo Instituto Benjamin Constant, Licenciada em Letras Português/Literaturas pela UFF. Escritora e palestrante.